"Se a política eleitoral e a ação dos mandatários são as principais ferramentas de promoção do bem comum numa sociedade democrática, não dá para dizer que o Cristão que assume verdadeiramente a sua fé pode deixar de lado a política, uma vez que esta também é um importante instrumento de instauração da justiça social. "

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Que venha o 6º...

Acontece nos dias 10 e 11 de novembro de 2007, na cidade de Nova Iguaçú - RJ, o 6° Encontro Nacional de Fé e Política.
Tema: Pelos caminhos da América Latina, uma nova terra!!!

Documento de Aparecida ainda gera polêmicas

Enquanto o texto com as conclusões da 5ª Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe, reunida em Aparecida do Norte entre os dias 13 e 31 de maio, chega às bancas, não cessam de vir à tona informações que polemizam em relação ao que seria o texto oficial da Conferência.
O centro das polêmicas é um texto sobre as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) que consta da terceira redação aprovada, mas que, segundo alguns, por um erro de digitação, sumiu da quarta redação. E a partir de então não mais entrou. Segundo versão procedente do Vaticano, a omissão se deve aos consultores jurídicos do Vaticano. No entanto, esta versão é contestada por D. Demétrio Valentini, bispo de Jales, SP, e um dos participantes da Conferência. Ele estranha tal explicação dizendo que “nenhum texto foi rejeitado antes. O que ocorreu foi a omissão, na quarta redação (versão final), do artigo sobre as CEBs que constava da terceira redação e desapareceu da noite para o dia, alegadamente por um erro de digitação no computador”, disse.
Em outro momento já nos debruçamos longamente na análise do significado da adulteração do texto final de Aparecida. Este episódio é mais uma demonstração de que se está mexendo numa ferida que não consegue curar e que manifesta a falta de autonomia por parte da Igreja da América Latina.

Exemplo do "Ser Igreja"!!! A valorização das Comunidades de Base

As dependências da PUC-RS, em Porto Alegre, que viram o nascimento do Fórum Social Mundial, em 2001, foram testemunhas, entre 20 e 23 de setembro de 2007, do 1º Fórum da Igreja católica no RS, que reuniu ao longo dos quatro dias de debates cerca de 100 mil pessoas. O Fórum foi convocado pelos Bispos do Estado e realizado em parceria com a Conferência dos Religiosos do Brasil - Regional Sul 3, e teve como tema A vida e a missão da Igreja Católica no RS e como lema: “ A vida se manifestou, nós a vimos e a testemunhamos” ( 1J 1,2). No final do Fórum, como resultado das reflexões e debates desenvolvidos ao longo dos quatro dias (4 conferências, 6 seminários temáticos e 101 grupos de estudos reunidos em oficinas), surgiu a “Carta do Fórum".
Na Carta às comunidades, os participantes manifestam que “um novo jeito de ser Igreja foi experimentado e um espaço de participação foi aberto a todas as pessoas de boa vontade. Nos caminhos do Fórum apareceram as marcas da evangelização no contexto da realidade atual, na fidelidade à inculturação, recuperando as raízes culturais, as tradições religiosas e a história do anúncio do Evangelho, verdadeiros tecidos da identidade e da maneira gaúcha de ser Igreja.”
Na relação da Igreja com a sociedade, os participantes vêem a “necessidade de: 1) superar a ambivalência em assumir uma efetiva e evangélica opção preferencial pelos pobres; 2) substituir posturas autoritárias e antidemocráticas por práticas de diálogo e participação; 3) transformar a lógica competitiva e excludente do sistema em práticas de solidariedade e inclusão”.
A carta também faz menção às mulheres, aos idosos, à juventude, à ecologia, à biodiversidade e à necessidade de superação das atuais práticas de formação dos agentes da Igreja. E conclui dizendo que “da participação dos leigos no processo organizativo e estrutural da Igreja, repousa a esperança e a efetividade das novas ações decorrentes do I Fórum”.
O coordenador-geral do Fórum, Marcelino Sivinski, destaca que “para a Igreja, o Fórum está sendo um aprendizado. Vivemos nestes quatro dias um momento privilegiado de reflexão e pudemos ver que existe uma igreja viva, solidária e participativa, capaz de celebrar os sonhos. O Fórum foi uma semente que cresceu e se manifestou em cada Diocese".
Pelo número dos participantes e pelas temáticas abordadas, bem como pela metodologia mais participativa e descentralizada, não deixa de ser uma lufada de ar fresco muito interessante para a Igreja católica, que retoma o espírito das Comunidades Eclesiais de Base (Cebs) e das Semanas Sociais.

fonte: Instituto Humanista Unisinos

É possível o encontro entre justiça social e ecologia?

Na mesma semana em que Lula, na abertura da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), fez uma veemente defesa dos biocombustíveis como alternativa aos combustíveis derivados do petróleo e mecanismo de mitigação para os efeitos crescentes do aquecimento global, no Brasil, a Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego suspendeu por tempo indeterminado as ações do Grupo Especial de Fiscalização Móvel responsável pelo combate ao trabalho escravo no país. A suspensão dos trabalhos do Grupo Móvel de fiscalização ao trabalho escravo se deve a ingerências da bancada ruralista. Em julho desse ano foi realizada a maior libertação de trabalhadores em condições análogas à escravidão no país. 1.106 trabalhadores da cana foram resgatados da fazenda Pagrisa (Pará Pastoril e Agrícola S.A.), no município de Ulianópolis (PA). Os trabalhadores dormiam em alojamentos superlotados com esgoto a céu aberto, recebiam comida estragada e água sem condições de consumo, além de salários que chegavam a R$ 10,00 por mês. Em função da caracterização de trabalho escravo, a BR Distribuidora, empresa subsidiária da Petrobras, anunciou a suspensão da compra de álcool combustível (etanol) da empresa Pagrisa, do grupo Pará Pastoril Agrícola S. A.A bancada ruralista desde então iniciou um processo de tentativa de desqualificação do Grupo Móvel que fiscaliza o trabalho escravo.
Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, e Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos (São Paulo, SP), publicaram uma carta na qual comentam que “a decisão do Ministério do Trabalho de interromper as ações de fiscalização e repressão ao trabalho escravo por falta de condições de trabalho e segurança dos agentes do Estado abre um gravíssimo precedente na defesa dos direitos humanos no Brasil”. Segundo eles, “a pressão política exercida por um grupo de senadores coloca o Brasil em posição vergonhosa perante os compromissos assumidos com a comunidade internacional enquanto país signatário das convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Orçamento da Saúde é aprovado, mas...

O Conselho Municipal de Saúde (CMS) de Maringá aprovou a pouco em reunião extraordiária, o orçamento da área para o ano de 2008.

Estão previstos investimentos/gastos na ordem de R$ 128 milhões, R$ 6 milhões a mais que em 2007. Alguns pontos, porém, se destacam:

  • Estão previstos gastos de cerca de R$ 400.000,00 para propaganda e cerca de R$ 427.000,00 para reforma e ampliação de 5 unidades de saúde (Universo, Iguatemi, Floriano, São Silvestre e Maringá Velho) e pintura de outras 6 (Pinheiros, Cisam, Quebec, Tuiuti, Iguaçú e Alvorada);
  • Não há previsão de aumento de equipes do Programa Saúde da Família - PSF (hoje são 57 equipes completas e outras 9 com falta de médicos). O plano municipal de Saúde contempla a efetivação de 70 equipes completas até 2008;
  • O Centro de Controle de Zoonozes (que foi interditado pela própria prefeitura) deverá ser reaberto no próximo ano, consumindo cerca de R$ 380.000,00 para manutenção e R$ 86.000,00 para ampliação e reforma;
  • Houve uma redução substancial na Manutenção da Atenção Básica (manutenção das Unidades de Saúde, realização de campanhas educativas e preventivas). O orçamento de 2007 previa investimentos no valor de R$ 9.512.890,00 e para 2008 este valor será de apenas R$ 4.834.275,00 - uma redução de cerca de 4,6 milhões;
  • A farmácia Popular deve ser aberta, com recursos no valor de R$ 144.000,00 (provenientes do Ministério da Saúde);

Mais uma novidade para o orçamento 2008 será o procedimento que deverá ser adotado pela Prefeitura/Secretaria de Saúde para o remanejamento de recursos livres (que somam cerca de R$ 11 milhões): o Conselho Municipal de Saúde deliberou que qualquer remanejamento de recursos da área da saúde deverá ter o aval do Conselho. A decisão foi tomada com base no remanejamento realizado este ano de mais de R$ 1 milhão de reais do Hospital Municipal para reforma e conservação de praças e vias públicas, sem prévia consulta ao CMS.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Nos faltam admiráveis...

MARIA NEWNUM

Não sei quanto a você, mas eu que nasci em 66, tenho a terrível sensação que perdi as décadas que revelaram homens e mulheres “admiráveis” em todas as esferas.No campo da música minha geração nem de longe experimentou força semelhante à dos Beatles. No campo das artes plásticas nada perto de Tarsila do Amaral, no campo político ninguém que se aproximasse de um Ernesto Tche Guevara e, no campo religioso-político (já que as expressões religiosas não se eximiam da atuação política) faltou-me referências de um Martin Luter King, uma Madre Tereza, um Dietrich Bonhoeefer. Além de gigantes do ecumenismo como D.T. Niles (metodista de Sri Lanka e primeiro presidente do Conselho Mundial de Igrejas); Eugene Carson Blake (presbiteriano, líder ecumênico nos EUA nos anos 50 e 60); Visser’tooft, grande líder do CMI. Sem mencionar gente como Ghandi que, como os já mencionados, continua como acessa chama “admirável” no mundo.No Brasil, vem a memória expressões Católicas como: Zilda Arnes, mulher admirável; na multi-mistura da Pastoral da Criança vem multi-misturando pessoas de várias religiões interessadas em salvar os pequenos. E ainda Dom Helder Câmara; um verdadeiro herói, já desde o regime militar. Poucos sabem que Dom Helder salvou muitos e alguns protestantes da morte, entre estes, pelo menos um missionário metodista, o norte-americano Fred Morris, denunciado por um “irmão(?)” metodista anônimo, cruel, covarde e sem o brilho de Dom Helder.Resta-me ainda a figura do Bispo do Xingu, Dom Erwin Kräutler, um ser admirável. Esse austríaco de coração amazonense; pai dos Indígenas, que apesar das contínuas ameaças de morte, vindas de fazendeiros, madeireiros e políticos da região de Altamira, é um resistente que ilumina alguns cristãos no Brasil. Mas, quantos conhecem Dom Erwin Kräutler? Ele não é pop, é um profeta “anônimo” numa terra esquecida pela mídia religiosa.Como protestante procuro figuras “admiráveis” que façam frente à realidade desse nosso Brasil de misérias sociais, corrupções políticas, acordões e pizzas em quase todas as esferas públicas e jurídicas. Onde estarão? Será que trancafiados nos “templos”, cumprindo a rotina cúltica onde são ovacionados por fiéis adoradores de “semi-deuses”? Ora, não é assim que alguns líderes religiosos protestantes se colocam? Como “ungidos de Deus”, os quais, os fiéis devem obedecer e adorar?Na minha Igreja Metodista, a procura seria inglória, não fossem os/as “admiráveis” anônimos/as que cotidianamente (mesmo que, às vezes, iludidos pelos semi-deuses) tentam ser profetas e profetizas transformadores da realidade a sua volta; como legítimos discípulos/as de Jesus.No outro lado do mundo a Igreja Metodista Unida nos Estados Unidos, apesar das dificuldades financeiras advindas da guerra gerenciada pelo presidente Busch (ora veja, ele é metodista!), tenta preservar o enfoque das quatro áreas de ação missionária da igreja: a saber: o desenvolvimento de liderança, o crescimento congregacional, a saúde global e a pobreza.O pano de fundo da Igreja Metodista brasileira abriga outro tipo de guerra; não menos cruel, não menos covarde, não menos malévolo e não menos contra-producente...O momento histórico protestante é sem dúvida o pior, o mais mesquinho e o mais sem propósito em relação às tarefas proféticas da Igreja: a saber: a missão integral: humana, evangelizadora e política; e a missão teológica: “pensar e deixar pensar”, responder a religiosidade de mercado e redirecionar os passos rumo a tradição protestante e Wesleyana; essa última, no caso da Igreja Metodista brasileira.A quem compete essas tarefas?Certamente não aos profetas e profetizas “anônimos”; estes não possuem força “institucional”; são os simples desse mundo. E nada há de se esperar dos “semi-deuses”; estão ocupados com outros afazeres; zelando de suas “glórias” pessoais; encantados com a ovação das ovelhas de um olho só...Os “semi-deuses”, em qualquer denominação, são os santos de mãos encolhidas e línguas presas. Incapazes de reagir, denunciar ou anunciar em alto e bom som, o caminho missionário, frente à realidade medíocre; ditada pela religião de mercado.Para falar do Brasil, é nítida a experimentação de um “apodrecimento” no seio protestante. Isso é um fato que será historiado futuramente. Não se foge dos registros a posteriori.Enquanto isso registre-se um protesto protestante: “Nos faltam admiráveis”. E nessa lacuna, cada qual deve se achar e se perceber como grãos pequenos; sujeitos a boa sorte da terra fértil e da água divina que faz florescer, de alguma forma, as sementes incrustadas entre rochas duras.A história revelará os “admiráveis” e “execráveis”. Tudo é questão de tempo. E o tempo de Deus é generoso e também implacável.

Maria Newnum é pedagoga, mestre em teologia prática e metodista. Membro do Movimento Ecumênico e do Grupo de Diálogo Inter-religioso de Maringá e filiada a um partido político.Outros artigos em

Orçamento Saúde - 2008

Amanhã o Conselho Municipal de Saúde de Maringá se reúne em reunião extraordinária para analisar e, se for o caso, aprovar o Orçamento da área da Saúde para 2008.
A reunião acontece a partir das 18h30min, no auditório da Secretaria de Saúde, na Av. Prudente de Moraes.

domingo, 23 de setembro de 2007

Fé e Política - Apresentando


Existem no Brasil inúmeros grupos de pessoas que, inspiradas na mensagem evangélica, atuam em movimentos populares, sindicatos, partidos políticos e outros espaços de organização social.
Algumas se reúnem em grupos informais de reflexão,celebração e aprofundamento. A maioria, porém, se sente isolada e necessita de meios de reflexão para a sua prática. É nesse contexto que atua o Movimento Fé e Política.
Este Movimento é ecumênico, não confessional e não partidário. Está aberto a todas as pessoas que consideram a política uma dimensão fundamental da vivência de sua fé, e a fé o horizonte de sua utopia política. Voltado para a construção de uma sociedade alternativa ao capitalismo neoliberal, o Movimento tem o objetivo de fomentar a reflexão política, a vida espiritual e a subjetividade daqueles que estão comprometidos com uma prática política e social.
Os participantes do Movimento Fé e Política atuam em movimentos sociais, organizações populares ou partidos políticos; assumem a causa dos pobres, dos oprimidos e dos excluídos; conferem prioridade à conscientização e organização popular recusam a manipulação das bases; afirmam as classes populares como principal sujeito da própria história; rejeitam todos os valores calcados no individualismo e na absolutização do mercado e reafirmam, como valores fundamentais para o ser humano, a solidariedade, a cooperação e o direito de todos à vida em plenitude, comprometem-se com o exercício da cidadania ativa e a construção de uma sociedade socialista, democrática, plural e planetária.
O Movimento Fé e Política pretende ser um serviço de formação e informação sobre questões de política, cultura, ecologia, ética e espiritualidade. Ele pretende reforçar e estimular a experiência dos grupos de reflexão, celebração e aprofundamento.
Grupo Fé e Política - Paróquia Nsa. Sra. de Guadalupe

Hoje tem encontrão das CEBs

A Arquidiocese de Maringá promove amanhã o 2º Encontrão Arquidiocesano das Comunidades Eclesiais de Base. Com o tema “Celebrando a vida com carinho e ternura”, o evento pretende reunir cinco mil católicos no intuito de festejar o convívio das pequenas “células” que compõem as paróquias.O Encontrão será realizado no ginásio de esportes Chico Neto, a partir das 13h30, e será finalizado com uma missa celebrada pelo arcebispo dom Anuar Battisti. A entrada é gratuita.

HISTÓRICO
As Comunidades Eclesiais de Base ou CEBs são pequenas comunidades ligadas principalmente à Igreja Católica que, incentivadas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), se espalharam principalmente nos anos 70 e 80 no Brasil, durante a luta contra a ditadura militar, contribuindo conscientemente ou não para o processo de redemocratização do país.
As CEBs se constituiam de grupos de pessoas (em torno de 20 a 80) que, morando no mesmo bairro ou nos mesmos povoados, se encontravam para refletir e transformar a realidade à luz da Palavra de Deus e das motivações religiosas.
A partir de sua organização elas começam também a reivindicar pequenas melhorias nos bairros, mas, ao mesmo tempo, iniciam uma caminhada para tomar consciência da situação social e política.
Querem a transformação da sociedade. Inspiradas no método "Paulo Freire" de alfabetização de adultos, executam uma metodologia que leve da conscientização à ação.
Ao redor da imagem de "povo de Deus", que foi caracterizada pelo Concílio Vaticano II, as comunidades sentem-se parte ativa na construção do Reino de Deus.
fonte: wikipedia

Infelizmente foi aprovado...

Foi aprovado na sessão da Câmara Municipal da última quinta feira, por 11 votos a 3, o projeto do Executivo que prevê o aumento do orçamento com propaganda em 1,04 mi, retirando, inclusive, dinheiro da merenda para isso. Novamente os únicos vereadores que votaram contra o projeto foram Marly, Humberto Henrique e Mario Verri.

Chamou a atenção do vereador Valter Viana (PHS) que criticou o que ele chamou de alguns e-mails maldosos que pessoas estariam espalhando pela internet dizendo que os vereadores estavam "tirando comida da boca das crianças". O nobre edil afirmou ainda que eles não são "muleques" para tomar atitudes assim, mas confirmou que votaria favorável ao projeto...